segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Ei Pequena.

Ei Pequena, mais um ano sem você. Mais um ano sem o barulho de máquina de costura na varanda e a linha que teimava sair da agulha quando os óculos estavam longe. Ei Pequena, mais um ano sem tomar bênção e recusar café, bolacha Maria, pão  quente na rabinha, janta 5 horas da tarde. Ei Pequena, mais um ano sem tapete, sem presente, sem presença e com uma saudade e uma ausência que deixa um buraco todas vez que eu passo na calçada, que eu pego sua camiseta surrada que eu guardei e olho sua foto linda no meu mural. Eu nunca mais coloquei minha caixinha de música pra tocar, Pequena. Juro, por tudo que é mais sagrado, que se eu pudesse ter mais um único dia com você, nossa, eu juro, que eu ia até te sufocar de tanto beijo na testa e te enjoar com tantos "eu te amo" que eu guardei, Pequena. Juro que eu não ia reclamar de ver missa na Rede Vida, não ia te pedir bolo de chocolate. A gente podia passar o dia inteiro adivinhando as palavras daquele programa do Silvio Santos e tomando café, Pequena, eu nem ia cansar. A última coisa que eu falei pra você foi "Calma, Vó, vai dar tudo certo.". Se eu soubesse que tava errada, que não ia dar certo e você não ia voltar pra passar o natal com a gente, eu tinha grudado em você e dava um jeito de não te deixar ir. Você foi, tá aí com o Vô, descansando e rindo das nossas bagunças, eu sei. Mas eu queria você aqui. Queria muito. Enfim, Pequena, nada nunca vai se comparar ao amor que eu sinto por você e que não morre. Eu te amo, muito.


terça-feira, 13 de novembro de 2012


Que o tempo ameace, e cumpra.
Que feche e não espere nos abrigar.
Que molhe, que lave, encharque
transborde e que limpe. 
Que o tempo que nos há de vir,
também nos há de convir em segredo,
do doce dos nossos ensejos,
do apetecer de nossas histórias.
Que para ambos não haja tempo ruim, 
nem uma medida de tempo exata. 
Alimentamos um tempo que para, 
uma lembrança que paira, 
uma saudade intacta. 
Conservamos braços para longos abraços 
e milhares de estrelas para nosso cenário. 
Mantemos um segredo, um desejo e um palco, saudoso,
dos passos e pressas dessa bailarina pequena. 
Cultivamos um, dois , três e mais beijos de maça...

Ana Laura Berigo Marques 



Termo

Folheando meia dúzia de lembranças 
deparei com a saudade dos teus olhos doces 
repousados sobre os meus.
Um olhar que já não me pertence
mas nem tão pouco me abandona,
revivendo, devagar, cada gesto seu.
Eu ainda te busco nos meus detalhes,
te reinvento nas minhas manias.
Te rio, te choro, te espero e venero.
Veneno, pr'essa vida que não segue
pr'esses olhos que te devoram e te perseguem,
pr'esses sonhos que não podem, mas te querem.
Do modo que me pertenceu,
fez-me tão sua que não sou mais minha. 
E todo o bem que me fez quando me tinha, 
não me permite voltar a ser sozinha. 
Peço arrego na pressa do que não passa,
não me aguento e não acaba.
Desculpe o mau jeito, 
mas estou no meu direito,
se não quer que eu guarde nada na memória, 
some de uma vez da minha história
e me deixa seguir meu caminho.



Ana Laura Berigo Marques 



domingo, 16 de setembro de 2012

(Excerto) Pra você, sobre você, em mim

Deu vontade de falar de você, rir de mim pelo que você tem me feito sentir. Deu vontade de te abraçar e desarrumar seu cabelo num cafuné que eu deixo guardado junto com a minha saudade, cá dentro, apertado junto com a vontade de ter ver. Todo dia. Deu vontade de sorrir pra você daquele jeito que você odeia, porque gosta demais. Te dar minhas covinhas de presente e ficar te olhando assim, sem falar nada, mas entendendo tudo. Deu vontade de deitar no seu colo e me deixar ficar assim por horas, porque eu também não enjoo de ficar com você. Deu vontade de te mandar uma letra de música que eu ouvi na rádio e sorri lembrando de você, ou uma frase, ou uma foto, ou qualquer coisa que te faça pensar em mim. Deu vontade de rir da nossa falta de vergonha na cara, do nosso começo torto, desse nosso meio que me deixa com medo de onde pode parar. Deu vontade de dizer, que não precisa chover pra eu querer estar com você e me sentir assim. Deu vontade de falar que eu sinto vontade de você. Deu vontade de perder o medo, e te contar um segredo. Eu gosto de gostar de você. 

-v


sábado, 1 de setembro de 2012

Refloresce-te

Já não bastasse todas as suas dores, todos seus sonhos interrompidos, suas ilusões em cacos e as atuais migalhas. Já não bastasse os pesos que vem carregando. 
Quem dera um dia engolir o remorso que lhe abstém a vontade de continuar. Quem dera um dia desfazer-se dos nós, que antes eram laços, mas que agora apertam, degolam, entristecem, doem cada vinco. Quem dera um dia a beleza não mais esvaísse a cada pulsar do relógio. Quem dera um dia poder tecer uma nova rima, bordar novos sorrisos e esquecer-se dos dias em que o sol insistiu em esconder-se. 
Queira Deus um dia que lhe sobrem forças, lhe cessem os tropeços e que a caminhada, por mais árdua, lhe cative e lhe recompense. Queria Deus que as tempestades venham para irrigar os campos secos do seu coração, e não afogar o que ainda lhe resta de esperança. Queira Deus, permita Deus, queira ela e que permita-se florescer. Quantas vezes for necessário. Que não desista das suas flores, e aprenda que o outono que seca e extirpa sua beleza, faz-se necessário no ciclo de re-exornar-se logo a frente. Queira Deus que aprenda a não esperar demais, nem acomodar-se com o de menos. Queira Deus que aprenda, de uma vez por todas, a controlar seu coração sem abrir mão dos seus impulsos, mas sem entregar-se tanto a sede do imediatismo que estagna suas continuidades. Queria Deus que que não caleje. Queira Deus que não desista, mas que não insista no que já não vive mais.


Por Ana Laura Berigo Marques





domingo, 19 de agosto de 2012

Sobre os diamantes, os consortes e os sem sortes


E o seu diamante era o mais belo. O exibira por anos com gosto, peito estufado e um orgulho que não cabia em si. Falava sobre diamantes para seus amigos e familiares e todos acreditavam no que dizia porque parecia mesmo entender de diamantes, já que o seu era tão vistoso. Seu diamante era de causar inveja. Inveja boa, ou nem tanto. Mas parecia mesmo um belo diamente.
Só que diamantes são inquebráveis e num deslize, num acaso, num dia feio com cara de luto, ele despenca de suas não e se estilhaça em pequenos e incontáveis cacos cortantes e doloridos. Quanto mais tentava juntá-los, mais eles se desintegravam, viravam pó. Sentia que se aproximava o vento, arrastando o que deveria ser reunido, espalhando seus pedaços e suas dores e seus sonhos daquele suposto diamante, agora fragmentário. A eternidade imensurável de seu diamante caiu por terra e tudo aquilo em que se baseava veio a baixo junto com ele. 
Era cristal. E o que tinha de belo, tinha de fino, frágil e principalmente irreparável. Doeu descobrir que aquilo não era rijo. Não doía perder a pedra, mas tudo o que acreditava ser aquele suposto diamante. A força, a fixidade que aquilo lhe oferecia. Certa segurança, certa esperança, certa necessidade de poder acreditar em algo. Aquilo de que "nem tudo é o que parece ser" se fez escárnio nos seus cacos de vidro espalhados pelo chão. 
Desista de catá-los, menina. Entenda, algumas coisas foram feitas para serem perecíveis. O logro é intrínseco, e esse engano se faz  gracioso, já que é belo, apesar de tolo, ainda hoje acreditar na eternidade do que sentem os homens.


Ana Laura Berigo Marques




quarta-feira, 4 de abril de 2012

Diálogo



    • - E a vida? Tá indo bem?


      - Tá indo. Correndo, na verdade. A gente vive é nos intervalos, no resto a gente é levado né ?




      Sinto sua falta, Amigo.
  • Imo

    Disseram então que eu deveria me preocupar. Disseram que voar era coisa de passarinho e amor, de gente grande. Disseram que as pessoas mentem e que muito falam e pouco sentem. Disseram pra eu ter medo da chuva e fechar as janelas. E que, se oposto, pra me proteger do sol também. E que o escuro tem segredos. Disseram pra eu não confiar na lua, que ela tem amantes demais, espalhados por todo canto. Disseram pra eu te medo do tempo. Daquele tempo que corre e daquele tempo que não passa. Disseram pra eu tapar os ouvidos aos ruídos do vento, que mau conselheiro ele me seria, porque me daria vontade de asas qe eu nunca teria. Dissera que o chão é o lugar dos pés, e a cabeça o do coração. Disseram que ignorasse o chamado de qualquer vontade: "boa menina, por saber de onde vem, sabe pra onde vai e o que lá tem de verdade." Disseram pra não encarar o horizonte. Ele usurpa razões e , de tão perverso, converte o certo em instinto e contorce o destino e te faz néscio além do necessário. Disseram que esperança é coisa de gente sem rumo e que pensar demais envelhece. E como me haviam dito pra ter medo de envelhecer, porque envelhecer é triste, era melhor obedecer. Disseram que o tal infinito é coisa de livro, de poesia, de gente que quer te fazer acreditar que as coisas estão ao nosso alcance. E disseram que a vida não é assim. Aí, quando fez-se silêncio, enquanto eu dormia, de olhos bem fechados porque me disseram pra temer também a luz, ouvi algo contar sem dizer palavra, que não me diria nada porque a única coisa a temer era as pessoas que falam demais. Susurrou em silêncio que quem se preocupa tanto com dizeres, deixa pela metade seus viveres, não absorve seus prazeres, não compreende seus sentires, é vazio de sonhares e resigna seus quereres. Aí eu vi que quem muito fala, perde-se na teoria e não vive a prática.


    Por Ana Laura Berigo Marques



    Epitáfio

    Um suspiro risonho.
    Suave de brisa,
    eterno de estrela,
    terno de abraço. Sempre.
    Eu vou sorrir pra você, 
    ler seus olhos de um jeito ímpar,
    com poesia, com  pecado e um pouco de pudor.
    Vou salpicar no boa noite, 
    uma saudade, uma ansiedade e um bem querer.
    E uma vontade que consome,
    de uma lembrança de um sonho consumado.
    Em suma, tão sua,
    covas de um riso:
    "Aqui jaz em carinhos,
    docemente embebidos,
    os seus segredos e os seus sorrisos."


    Por Ana Laura Berigo Marques.




    Vivaz

    Sonhar, sutilmente, em lençol.
    Planejar meus desejos,
    desejar seus segredos,
    secretar esses nossos olhares.
    Descobre, entre o querer labirinto,
    faminto e inquieto.
    Me encobre de rima,
    nessa nossa esfrofe interminada.
    E infinita.
    Indefinida de saudade,
    de vontade, de novelo,
    de novela, nó e laço.
    Enlace.
    Quimera só nossa,
    cantiga de roda,
    cantiga Buarque, verso montenegro,
    em negra noite e branca estrela.
    Aaaaah, suspiro.
    Vem cá, 
    meu colo em berço,
    espera seu conchego.
    Encaixa em concha, se ajeita.
    Transborda um sorriso,
    inspira uma lembrança
    de um cheiro, de um gosto,
    de uma história de maçã...


    Por Ana Laura Berigo Marques


    terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

    Pormenores

    Gira,
    Menina,
    Bailarina.
    Cose sonho, 
    espia canto, 
    sorri faceiro,
    suspira doce.
    Não sabe se lembra
                  se vive,
                  se corre,
                  escorre,
                  deixa fluir...
    Saudade, vontade e será.
    De onde surgem as borboletas
    e porque diabos gostam tanto do lado de cá ?


    Por Ana Laura Berigo Marques 



    Amiúde

    E tentava rabiscar linhas afins,
    novas estórias, novas quimeras,
    novos velhos fins.
    Nada saia, 
    a palavra escondia, 
    então nada se lia, 
    nessa palavra calada,
    encantoada na lembrança
    que canta e dança, 
    sozinha, rindo e suspirando de si.
    E por que rouba minhas letras,
    e brinca com as minhas linhas, 
    com olhos de infinito 
    e saudade em estrofe?
    Rima minha rima, 
    me ganha, sempre,
    sempre me fascina.
    Olha cá de novo seus versos,
    gritados no escuro,
    tentando alcançar seus ouvidos, 
    seus sonhos, seus lençóis,
    seu eu tão meu,
    no resgate do cobertor de estrelas 
    que numa noite terna-eterna , nos acolheu.


    Por Ana Laura Berigo Marques 



    segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

    Impreterível

    Que seja doce.
    Mas que não me enjoe.
    Tudo que é doce demais
    uma hora perde a graça
    porque o encanto está na surpresa
    e doce sempre
    nunca surpreende.
    Que tenha um toque de acidez
    e que ela me tire o fôlego.
    Que me faça arrepiar da nuca aos pés
    e me faça pedir mais.
    Sempre mais.
    Que o sal seja da pele.
    Na boca que te sente, 
    te absorve, te delicia...
    E que, de causar deleite,
    num comprazer mútuo,
    de silenciar lucidez,
    nos tornemos inaptos a esse mundo real
    que quase em preto e branco e insípido
    nos perde a graça, quando juntos, 
    sabemos exatamente até onde podemos chegar.
    E ir além me fascina.
    E fascínio me desperta o apetite de infinito.



    Por Ana Laura Berigo Marques



    quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

    Alento

    Perdidos, entregues
    sedentos, inertes.
    Puro deleite impuro
    de pensamento e silêncio.
    Então silencia.
    Vem, sente o gosto dessa minha vontade
    e se possível,
    transcende comigo além de mim.
    Possua,
    que sua, pertenço toda.
    E faz possível
    o impossível de ver além desses olhos
    que querem tanto bem.
    Senta do meu lado,
    me conta um caso, 
    em acaso,
    me faz sorrir, do novo.
    Inventa mentiras, 
    me esconde verdade ou outra. 
    Aceito.
    Me dá de presente,
    sem embrulho, barulho e pudor
    o quente desse seu abraço, 
    apertando esse vazio que eu sou.




    Por Ana Laura Berigo Marques



    Quanto mais, contumaz.

    Secreto-lhe agora 
    as falas mudas 
    de um pensar só meu.
    Tanto se pensa no que passou,
    tanto se espera do que jamais será.
    Será saudade?
    Saudade e só?
    Busca, então, respostas
    em perguntas vagas
    de sentido sóbrio
    em embriaguez de sonho.
    Posso estar equivocada,
    mas não deixo nunca de sonhar.


    Por Ana Laura Berigo Marques.



    Avivo

    Estava perdida em sua existência;
    ora existia, ora não.
    Em um raro momento de existência, encontrou-o. 
    Passou, então, a ser... 
    em tempo absoluto. 
    Soube que era, pois se sentia.
    Sentia seus pés fora do chão
    e estes caminhavam de encontro a ele, 
    mas ela estava permanecia estática.
    Embriaguez sóbria
    que a fazia flutuar.
    Seu corpo estremecia todo,
    como se sentisse frio...
    mas sentia o contrário.
    Era mistura de pudor com vontade.
    Enfim, tornara-se uma contradição sublime.
    Seus poucos segundos de existência
    não a permitiam entender.
    Nem ao menos conseguia tentar compreender.
    Compreensão? Ainda não existia, quiçá, um dia.
    Estava entorpecida. 
    Assim que existira, passou a beber subitamente 
    aquele olhar, que a devorava sem vê-la.
    Não a enxergava, mas os olhos dele envolviam-na

    a ponto de esquecer quem acabara de ser.




    Por Ana Paula Berigo Silva.









    (Prima, você é foda! hahaha, te amo pequena!)

    terça-feira, 10 de janeiro de 2012

    Anelo

    Desperta em mim,
    devagar,
    isso,
    assim,
    essa vontade de manter seu gosto
    cravado no meu beijo,
    esse cheiro rabiscando minha pele
    e essa vontade de me perder em desejo.
    Esse querer muito, insistente.
    Não me provoque,
    que a resposta não será doce.
    Nem me tente:
    Se quer manter em silêncio essa minha mania de insensatez,
    não pergunte, nunca mais,
    porque meu coração bateu tão forte aquela vez...

    Por Ana Laura Berigo Marques


    sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

    Desafogo

    E os olhos nos olhos deixaram de bastar. 
    Encaravam-se,mas não se viam. 
    Pior, não se reconheciam. 
    Talvez o tempo. Talvez o hábito. 
    Talvez a vida. 
    E quando os braços deixaram de ser abraço,
    mesmo que ainda entrelaçados,
    surgiu em mim abismo. 
    Talvez o gosto de falta de um gosto doesse mais
    que os lábios tão longes. 
    E quando passos tropeçaram-se,
    porque queriam seguir trilhas diferentes,
    por Deus,
    o chão se abriu. 
    Talvez não tenhamos planejado direito,
    talvez tenhamos planejado demais. 
    Talvez essa história de planos seja apenas um pilar
    que nós, na nossa pobre humanidade,
    necessitamos para permanecer de pé
    na impossibilidade de sonhar acordados. 
    Talvez nossos dias de glórias estão por vir. 
    Talvez tenham passado sem serem percebidos,
    já que estavamos ocupados demais tentado encontrá-los
    no lugar de vivê-los. 
    Eu rabisquei por vezes incontáveis
    linhas que me tiraram o fôlego num choro só meu
    na tentativa de escrevê-lo a ausência
    até perceber, por fim,
    que, por ser vazio, ausência não se explica,
    não se traduz e nem se compartilha. 
    Eu tentei por vezes incontáveis entender
    onde é que viemos parar,
    arrastados pela nossa própria vontade. 
    Talvez tenhamos nos perdido no caminho. 
    Perdido em si e um do outro. 
    Talvez eu tenha demorado entender que
    você me ensinou a me acostumar com a sua presença
    mas não disse nada sobre eternidades perecíveis. 

    Por Ana Laura Berigo Marques

    segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

    De volta à Catatonia!

    Senha recuperada, vou voltar pra minha catatonia, que eu já estava morreeeeendo de saudade dos meus devaneios ! ;)

    Aguardem!