E sem dia marcado,
Sem aviso prévio ou momento esperado,
surgiu em mim,
Insidioso e feroz.
Apoderou-se da minha razão
e me fez delirar,
proibida e deliciosamente,
com teus olhos eternos.
Não lutei contra,
não tentei manter meu eu em mim:
entreguei-me, furtiva e ávida, aos seus encantos.
Sem hora, expandiu-me.
Tanto e de tal forma
que não caber em mim excitou-me,
tanto e com tamanha intensidade
que me mantive afoita do lado de fora de mim,
assistindo ao meu espetáculo de devaneios particulares
em polvorosos aplausos proibidos.
Deleitei-me doce,
maldita
e tentada.
E entre minúcias,
Escancarei platônica minha vertigem.
Deitei-me de olhos fechados na inconstância,
Deixei-me levar, absorta e satisfeita,
Esperando um modo secreto de absorvê-lo,
Tudo e todo, pouco por vez,
Surdina, irreversível e tentadoramente.
Por Ana Laura Berigo Marques





