segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Guardados revirados, saudades empoeiradas. Tirei você da gaveta e te pendurei no varal, exposto ao sol, pro vento levar embora que ainda é seu e me comove.

Psiu, olha: tô com cara de sono, meu cabelo tá num rabo de cavalo e eu tô sorrindo pra mostrar minhas covinhas pra você.Só que você não tá vendo. Tô sentada na frente do computador, esperando você me chamar de um nome pejorativo qualquer pra me falar que tá aqui. Tô esperando seu bom dia depois do meio dia no domingo pós noitada. Tô olhando você online , sentindo uma vazio porque a gente não se fala mais. Eu ainda tô esperando um boa tarde ou um dorme bem, por mensagem. Psiu, vamos começar de novo ? Faz assim, me deixo sorrir disfarçado pra você num bar lotado e me assusto com seu "oooi", de novo. A gente pode conversar sobre nada por mais 40 minutos, você me pede um beijo, esquece meu nome e lembra por causa do colar que eu uso. Eu vou rir pra você e a gente vai se beijar. E vai se beijar de novo, e de novo e eu vou pensar: "Nossa! Hahaha". Vou te caçar de novo nas redes sociais e começar uma conversinha despretensiosa te chamando pelo nome completo e uma carinha pra descontrair, de novo. 
E a gente vai se falar todos os dias e rir todos os dias, e se ver sempre e eu vou me acostumar com você de novo, porque a gente se acostuma muito fácil com o que é bom. E eu vou lembrar de você em tudo que eu fizer, em tudo que acontecer comigo, em tudo que eu assistir, cantar, lembrar e ouvir. De novo. E eu vou esperar você perguntar como foi meu dia, meu trabalho, minha faculdade, meu sono, meus sonhos, minha saudade. Eu não vou ficar brigando pra ver quem ama mais, de novo. Não vou discutir isso por horas e horas, de novo. A não ser que você queira, mesmo sabendo que essa discussão não tem fim. Mesmo porque eu já não tenho certeza de que é você quem ama mais. Mas eu vou bancar a durona e vou falar que não to sentindo nada, de novo. Só que eu vou cantar um monte de música com letrinha bonitinha pra você e te lembrar tanto de novo, que você nem imagina. 
Psiu, me busca e vamos ficar no carro, conversando e rindo e ouvindo música como se nunca tivesse feito isso antes? Deixa eu implicar e bagunçar seu cabelo de novo? Me abraça daquele jeito? Me aperta num sufoco bom. Me acalma, de novo. Me faz rir pra esquecer o mundo lá fora, eu sei que você consegue de novo. Vou te chamar de um monte de nome feio e vou tentar matar aos poucos essa coisa que cresce dentro do meu peito. Mas eu vou te ligar quando eu passar mal, vou falar onde eu vou, vou te ligar com uma desculpa qualquer, vou te mandar mensagem de bom dia, de boa tarde, de boa noite e pra te acordar de madrugada tudo de novo. Vou te ligar quando tiver de porre e escrever errado pra vc ver que eu to pensando em você. Vou até te pedir 10,00 de novo. E deixo você estudar comigo de novo tudo aquilo que você não faz ideia do que esteja falando, só pra estar comigo. Vou te contar um monte de segredo e vou ouvir e guardar os seus. E eu vou procurar refúgio nas suas palavras e até no seu silêncio, de novo. 
Vou falar que tenho que entrar em casa só pra ouvir você falando "Não, mais 10 minutos." e ficar mais 1 hora de novo. Eu não me importo em dormir pouco, nem de sonhar com você nem de pensar em vc tanto tanto tanto que dói. Mas sabendo que eu tenho você, dói leve, outro tipo de dor entende? E eu vou brincar de não sentir saudade pra não esperar você me ligar. Mas eu vou ficar louca se você não falar comigo. E quando eu entrar no seu carro, eu vou rir e soltar um "que saudaaade que você tá de mim ou" pra ver seu sorriso de novo. E a gente pode se beijar tanto, até perder o fôlego. Eu gosto de respirar você e quero fazer isso sempre, de novo e mais.
Psiu, vamos fazer tudo, como se fosse a primeira vez, mesmo. Olha nos meus olhos, porque eu sei que você gosta deles, e isso, se você não quiser, nem precisa repetir. Psiu, vamos sair pra comer qualquer coisa de novo, como desculpa pra se ver, já que eu não entendo porque é tão difícil falar "Quero tanto te ver hoje, sem motivo, só vontade. Essa coisa que parece com a saudade que eu tenho medo de sentir por você, porque mostra que eu to me apaixonando e eu me proíbo". 
E dessa vez, quando você me perguntar, de novo, porque meu coração tá batendo tão rápido, eu não vou rir e falar que é porque eu sou cardíaca. Eu vou contar que é porque ele sabe que eu tô com você, e que isso me faz bem. E quando você ver que eu to me afastando de nós, me pega pelo braço, grita comigo, fica bravo. Impede que eu me arrependa de te perder tão fácil, porque essa parte de sentir saudade e chorar por você, eu não quero de novo. Você sabe que eu também detesto pontos finais, que eu também não gosto e nem quero dizer adeus. Então não acredita de novo nas besteiras que saírem da minha boca quando estiver tendo um colapso de ciúme por puro medo de ficar sem você. E, mesmo assim, quando eu tiver muito medo de te perder de novo, eu não vou desistir, não vou abrir mão de ter seu colo e se abrigo, ter meu companheiro, meu amigo. Não vou fugir de novo. Prometo lutar pra que você queira ficar, de novo e sempre e mais, todo dia de novo.





"Yesterday, today, tomorrow  
Fade away like frozen photographs
Remember, forget
The stakes, the ways you take
The ways you make the moment pass
For every regret
I tell a beautiful lie
And i would die if you find out"





Ceder a sede de sentir-me tão sua 
a ponto de longe ser só suspiro, sem sossego. 
Na pressa do que não passa, 
na hora que se arrasta.
No traço de um passo de enlace e embaraço.
No traço de um sonho bom.

Ressequida de um beijo, 
volta de enleio, 
volta de ensejo, 
consumida de desejo e só.

Celebra solene nesse compasso,
dança de estilhaços de um peito que explode solitário. 
Volta a ser meu par nessa quadrilha, 
dança mansa, tanto canto, 
conto de puro som de cedilha. 
Sinceramente, quanto tom de insensatez
e som de ésse de saudade
que me toma de embriaguez. 

Por Ana Laura Berigo Marques 



sábado, 7 de setembro de 2013

Liberi Anima

"O homem está em permanente reconstrução, por isto é livre: liberdade é o direito de transformar-se."


domingo, 10 de março de 2013

Amor ao saber e não saber, amor


Toma a filosofia da falta que eu sinto das suas palavras, 
dos seus sorrisos, das nossas saudades 
e guarda com o último beijo que eu ainda não te dei 
e com as tantas vezes que eu te chamei baixinho antes de dormir, 
sem você me ouvir e vir me ver.
Toma a filosofia dos meus olhos que caçam o seus 
e que conservam tantos olhares tão nossos 
e guarda com a minha vontade de falar pra você 
que eu sinto sua falta.
Toma a filosofia das noites que eu sonhei com você 
e dos dias que eu passei esperando você me chamar, 
sem resposta, só vontade, sufocando essa saudade 
e me fazendo ter uma vontade louca de te procurar.
Toma a filosofia dos sentimentos que escondi pra não me sentir tão sua 
e não sofrer quando você partir
e guarda com a dor que eu ainda sinto
e com as vezes que eu menti, porque queria sim me entregar.
Toma a filosofia dos meus versos que são seus, 
porque você sabe do que eu falo 
e guarda com todos os outros em que te escrevi 
pra tentar arrancar aqui de dentro 
esse sentimento frágil e débil que descompõe o meu pensar.
Toma a filosofia da minha última tentativa de revelar meus pormenores,
nessa história sem final, ainda querendo, ainda esperando 
e guarda com meu aguardo, meu apeteço
meu embaraço, de querer tanto e não poder.


Por Ana Laura Berigo Marques



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Pra poder falar de amor


Pra poder falar de amor eu penso na pureza daqueles olhos, 
no entrelace dos dedos, 
no entrelace dos planos, dos sonhos
das perdas, dos ganhos.

Pra poder falar de amor eu penso na saudade sem medida
de quando eu me despedia, desatando o laço
com aquele cheiro que ainda estava nas minhas mãos 
e aquele calor ainda no meu abraço.

Pra poder falar de amor eu penso nos olhos nos olhos
enquanto desajeitávamos o lençol 
arrancando roupa, suspiros, 
pudores, arrepios. 

Pra poder  falar de amor eu penso em tudo 
como se fosse sempre a primeira vez.
Primeiro toque, primeiro beijo, 
primeira perda de fôlego e de lucidez. 

E sei que eu falo mesmo de amor
porque seu rosto é que aparece
quando fecho os olhos, 
quase em prece, 
pra poder falar de amor.

Por Ana Laura Berigo Marques 



O que nos ensinaram sobre o amor


Estranho pensar que o amor, tão nobre, seja culpado por corromper a inocência e a pureza dos corações desiludidos. Não percebemos que fomos ensinados, desde sempre, a depositar esperanças demais em outra pessoa, como se ela fosse obrigada a se comprometer em superar nossas expectativas. Somos educados num suposto sentimento de amor de doação total, entrega absoluta, auto-anulação para viver parasitado em outra pessoa. Planeja-se o amor antes mesmo de encontrá-lo. É como se agíssemos todos por protocolo. Amor não é isso. Amor requer entrega, mas também moderação. Não se vive só de amor, como não se morre de amor nem se ama sem medidas. Não se jogar de cabeça precocemente numa relação não te faz incapaz de amar. Fomos educados para grandes paixões de cinema, na loucura da necessidade do "amar sem pensar". Tá errado. Amor é calma, é zelo. Turbulência sempre faz a cabeça entrar em pane e aí sim temos uma tragédia. A gente tem que amar devagar, degustar, apreciar tudo pra depois amar mesmo e aí sim falar que ama. É uma responsabilidade muito grande para ambos: tanto para quem carrega um sentimento assim e quanto para quem ele é destinado, já que não nos ensinaram a lidar com rejeição. Fomos educados num mundo onde falar e sentir não tem o mesmo peso e a mesma medida. Tudo é simples demais, rápido demais. Tudo tornou-se supérfluo demais. Fomos educados para sermos essencialmente carentes e necessitar do outro para nos completar. Não é assim. Amor é troca, não é dever nem direito. Amor é natureza. Não tem manual que te ensine a amar, ou desamar ou ainda fazer com que alguém te ame de volta. Amor, amor mesmo, é igual uma semente, que tem seu tempo para desabrochar. De nada vale maximizar as coisas para adiantar o processo e "otimizar" seu tempo. Isso não é amor. Fomos educados para o amor com base nas regras do apaixonar-se. Esse desatino todo, essa dor, essa sede. Amor não é imediatista. Não se ama por um beijo, não se ama só pelo que se faz na cama. Amor mesmo a gente constrói aos poucos: nos olhos, nas longas conversar, no riso frouxo sem motivo, nos detalhes, na música repetida 30 vezes, nas dificuldades, numa coleção de pôr-do-sol. Amor tem seu lado do costume, da rotina. Não que eu esteja falando que amor é tédio, mas amor, pra valer, não nasce do dia pra noite. Amor é paciência, é cultivo. É alinhar-se na vida de outra pessoa sem se anular e isso leva tempo, leva lapidação minuciosa. Você pode, aliás, você deve, se apaixonar quantas vezes for possível. Paixão é combustível, é fogo pra arrebatar a vida da gente, é êxtase. Mas amor, meu caro, amor é quando o coração se aquieta. Não porque você achou o que estava procurando, porque amor não é jogo de caça, mas porque você reconheceu em alguém o que te faz bem; nem porque é o que te completa, porque não se usa amor pra preencher lacuna. Seu coração se acalma porque sente vontade de ser melhor. Você passa a entender a essência e o valor da reciprocidade. Fomos educados para sermos egoístas no amor; não se doa sem receber de volta, não se faz se não tiver algo em troca. Mas amor de verdade te mostra que é a base da partilha. Partilha de sorrisos a lençóis, sem estar obcecado a ideia de que você será recompensado em algum momento. O que não nos ensinam é que a gente não encontra UM amor, O amor é que encontra a gente. Não se ensina direito sobre amor, porque amor não se aprende. Amor, amor mesmo, a gente sente. 

Por Ana Laura Berigo Marques



segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Jura


Podia sentir os seus olhos devorando minha lucidez. Era como se queimassem o que me restava de esperança de ter esquecido seu olhar em mim. Veio tudo à tona de novo. Jurava ter esquecido seus olhos. Jurava estar imune à falta de chão sob meus pés quando eles passassem por mim. Jurava que as borboletas estavam soltas, longe daqui. Jurava ter esquecido seus olhos. Jurava ser mais forte que a vontade de tê-los em mim. De longe, de perto, disfarçado, coberto, tão errado, nunca certo. Mas em mim. Jurava não saber mais o que era esperar sua voz de algum modo, num timbre qualquer, pra dizer qualquer asneira que fosse em quanto olhava pra mim. Jurava ter esquecido seus olhos. Jurava não sentir mais necessidade de cuidar de você, te dar colo, te dar ouvidos, te dar abrigo, te dar silêncio. Te dar meus olhos, porque eu jurava ter esquecido os seus. Mas não, estão mais vivos que nunca, depositando pólvora na explosão da minha saudade. Mais fogo, mais gasolina, mais lenha, mais fome, mais nada. Na verdade um tudo amargo por não ter esquecido teus olhos. E se fosse só a lembrança mansa que se agitou, suplicaria baixinho, "te aqueta menina que isso logo logo passa"... Porque eu jurava não ter mais a necessidade de contemplá-los. Jurava não estar mais à mercê do desejo de encará-los, descomedida, inerte, entregue, tão sua. Jurava estar em paz, vacinada desse teu olhar que me toma, que mexe com o meu coração, sangra minhas feridas, remexe minhas cinzas e me instala num caos doce. Jurava ter esquecido seus olhos, que por Deus, nunca estiveram tão inalcançáveis, mas que eu nunca vi tão lindos. 

Por Ana Laura Berigo Marques 





"...que bala de carabina, que veneno estriquinina, que peixeira de baiano..." ♫♫♫