segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Impreterível

Que seja doce.
Mas que não me enjoe.
Tudo que é doce demais
uma hora perde a graça
porque o encanto está na surpresa
e doce sempre
nunca surpreende.
Que tenha um toque de acidez
e que ela me tire o fôlego.
Que me faça arrepiar da nuca aos pés
e me faça pedir mais.
Sempre mais.
Que o sal seja da pele.
Na boca que te sente, 
te absorve, te delicia...
E que, de causar deleite,
num comprazer mútuo,
de silenciar lucidez,
nos tornemos inaptos a esse mundo real
que quase em preto e branco e insípido
nos perde a graça, quando juntos, 
sabemos exatamente até onde podemos chegar.
E ir além me fascina.
E fascínio me desperta o apetite de infinito.



Por Ana Laura Berigo Marques



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Alento

Perdidos, entregues
sedentos, inertes.
Puro deleite impuro
de pensamento e silêncio.
Então silencia.
Vem, sente o gosto dessa minha vontade
e se possível,
transcende comigo além de mim.
Possua,
que sua, pertenço toda.
E faz possível
o impossível de ver além desses olhos
que querem tanto bem.
Senta do meu lado,
me conta um caso, 
em acaso,
me faz sorrir, do novo.
Inventa mentiras, 
me esconde verdade ou outra. 
Aceito.
Me dá de presente,
sem embrulho, barulho e pudor
o quente desse seu abraço, 
apertando esse vazio que eu sou.




Por Ana Laura Berigo Marques



Quanto mais, contumaz.

Secreto-lhe agora 
as falas mudas 
de um pensar só meu.
Tanto se pensa no que passou,
tanto se espera do que jamais será.
Será saudade?
Saudade e só?
Busca, então, respostas
em perguntas vagas
de sentido sóbrio
em embriaguez de sonho.
Posso estar equivocada,
mas não deixo nunca de sonhar.


Por Ana Laura Berigo Marques.



Avivo

Estava perdida em sua existência;
ora existia, ora não.
Em um raro momento de existência, encontrou-o. 
Passou, então, a ser... 
em tempo absoluto. 
Soube que era, pois se sentia.
Sentia seus pés fora do chão
e estes caminhavam de encontro a ele, 
mas ela estava permanecia estática.
Embriaguez sóbria
que a fazia flutuar.
Seu corpo estremecia todo,
como se sentisse frio...
mas sentia o contrário.
Era mistura de pudor com vontade.
Enfim, tornara-se uma contradição sublime.
Seus poucos segundos de existência
não a permitiam entender.
Nem ao menos conseguia tentar compreender.
Compreensão? Ainda não existia, quiçá, um dia.
Estava entorpecida. 
Assim que existira, passou a beber subitamente 
aquele olhar, que a devorava sem vê-la.
Não a enxergava, mas os olhos dele envolviam-na

a ponto de esquecer quem acabara de ser.




Por Ana Paula Berigo Silva.









(Prima, você é foda! hahaha, te amo pequena!)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Anelo

Desperta em mim,
devagar,
isso,
assim,
essa vontade de manter seu gosto
cravado no meu beijo,
esse cheiro rabiscando minha pele
e essa vontade de me perder em desejo.
Esse querer muito, insistente.
Não me provoque,
que a resposta não será doce.
Nem me tente:
Se quer manter em silêncio essa minha mania de insensatez,
não pergunte, nunca mais,
porque meu coração bateu tão forte aquela vez...

Por Ana Laura Berigo Marques


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Desafogo

E os olhos nos olhos deixaram de bastar. 
Encaravam-se,mas não se viam. 
Pior, não se reconheciam. 
Talvez o tempo. Talvez o hábito. 
Talvez a vida. 
E quando os braços deixaram de ser abraço,
mesmo que ainda entrelaçados,
surgiu em mim abismo. 
Talvez o gosto de falta de um gosto doesse mais
que os lábios tão longes. 
E quando passos tropeçaram-se,
porque queriam seguir trilhas diferentes,
por Deus,
o chão se abriu. 
Talvez não tenhamos planejado direito,
talvez tenhamos planejado demais. 
Talvez essa história de planos seja apenas um pilar
que nós, na nossa pobre humanidade,
necessitamos para permanecer de pé
na impossibilidade de sonhar acordados. 
Talvez nossos dias de glórias estão por vir. 
Talvez tenham passado sem serem percebidos,
já que estavamos ocupados demais tentado encontrá-los
no lugar de vivê-los. 
Eu rabisquei por vezes incontáveis
linhas que me tiraram o fôlego num choro só meu
na tentativa de escrevê-lo a ausência
até perceber, por fim,
que, por ser vazio, ausência não se explica,
não se traduz e nem se compartilha. 
Eu tentei por vezes incontáveis entender
onde é que viemos parar,
arrastados pela nossa própria vontade. 
Talvez tenhamos nos perdido no caminho. 
Perdido em si e um do outro. 
Talvez eu tenha demorado entender que
você me ensinou a me acostumar com a sua presença
mas não disse nada sobre eternidades perecíveis. 

Por Ana Laura Berigo Marques

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

De volta à Catatonia!

Senha recuperada, vou voltar pra minha catatonia, que eu já estava morreeeeendo de saudade dos meus devaneios ! ;)

Aguardem!