terça-feira, 15 de novembro de 2011

Seu colo como se não fosse impróprio se dançar assim, ela teimou e enfrentou o mundo se rodopiando ao som dos bandolins... suspiro.

Bandolins
Oswaldo Montenegro

Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos bandolins

E como não,
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim?
Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim

Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos bandolins

Como fosse um lar
Seu corpo à valsa triste
Iluminava e à noite
Caminhava assim

E como um par
O vento e a madrugada
Iluminavam à fada
Do meu botequim

Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim

Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando amada
Ao som dos bandolins...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Doce conivência


Em nome do instinto, da carne,
do pecado e da poesia
Deleitemos, Doce Catatonia.
Perjúrios,
Ecoados ao vento,
De olhares e gostos atentos
Fazem de nós vilões ou vítimas do acaso?
Sabe do que eu falo?
De travesseiro que invade os sonhos arrancando arrepios,
no distinto lençol tão nosso,
demarcadamente por suspiros diversos, nosso.
Um pecado têxtil, textil.
Falo além,
De beijo cobertor,
invade corpo e calor,
que acalenta arrepio, dos pés ao ouvido,
cobiçando baixinho,
para o nosso lençol não deixar de exalar
esse tudo, tão nosso,
tão tanto, tão tentador...
Em indefectível olhar,
Arranca mais que suspiro,
Despe peça a peça desse espetáculo.
Cansei de esperá-lo do outro lado do fio.
Se encontrá-lo pelas fendas,
Onde meus cabelos brincam com o vento,
Lamento, mas devoro sem pestanejar...
 

Por Ana Laura Berigo Marques

sábado, 12 de novembro de 2011

"Separô pra pensar no que a gente faria se não houvesse a poesia..." rs, suspiro.

Separô
O Teatro Mágico

Separô toda a minha correria
Separô o joio do trigo e da padaria
Separô diante de mim quando minha tristeza era parte do dia
Separô Dona Beleza de Dona Maria
Separô o que não restava do que já não tinha
Separô diante minha palavra e se fez poesia
Separô pra ouvir meu protesto, meu gesto que - incerto -
talvez não faria
Separô o silêncio da dor me trazendo alegria
Separô pra pensar no que a gente faria
se não houvesse a poesia,
se não restasse farinha pro nosso pão!
Iria só até o fim
Daria tudo e mais um pouco de mim
Separa um tanto que o outro eu te dou
Separa a chuva pra continuar flor!

rs, só riso, sorriso ;)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Devora-me.


Façamos assim,
Despida de pudor,
Travestida de malícia...
Sob esses olhos eternos,
que descobrem, recobrem
mas nunca revelam...
Para magia não dissipar,
Ah, Minha Incógnita,
Proibidamente Provocante,
Que eu não quero decifrar,
devora-me!


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ao ouvido...


Bate a porta e não lhe pergunta, declara:
- Doces e travessuras...
Tem nos olhos um infinito de açúcar
E nos lábios sedentos, todo sorriso de suspiro.
- Doces travessuras...
Irresistível.
E como se invertesse a história,
Ela é que lhe oferta.
Linhas doces,
Entrelinhas travessas,
Dispostas nas pontas das sapatilhas de ponta,
Misturando numa coisa só, espetáculo e labirinto.
Que delira delírio e absorve intenção,
Isso já se sabe bem...
Reza a lenda das más línguas
Que o que ninguém sabe é que no calendário de ambos,
secretamente,
Sempre é outubro, 31...


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

Lírico


De todas que já vi escritas, cantadas, compostas, poesias,
A nenhuma delas me assimila.
Marias Lúcias, Carolinas...
Nunca me escreveram,
Na tão simplicidade que me chama.
Três letras dum rabisco,
Me chamo Ana.
Ana Ana Ana, nas minhas tantas tessituras,
Como assim já bem me compuseram e desvendaram,
Ora sou o criador, ora a criatura.


Implícito


E quando eu sorrir,
Absorve minha intenção,
Toda e tanto,
pra sentir minha enlevação...
Quando eu olhar,
Viaja lento e sedento,
Versado desses olhos de apetite voraz...
Quando eu escrever,
Lê-me além das minhas linhas,
Tão suas, tão íntimas...
Ah, e quando eu pensar...
Bom, aí secreto.
Escancaro meio, meio silêncio.
Apeteço inteiro,
Em fervor veemente,
a pura complacência impura
de quem crê no poder das palavras indizíveis...