terça-feira, 11 de outubro de 2011

Excerto


Escorre pelos meus pensamentos mais sórdidos, feito lava destrutiva, quente e voluptuosa, arrasando todo e qualquer vestígio de sanidade. Agoniza em meu inconsciente, feito a noite que se esvaece ao principiar de aurora, ávida por luz, por vida, por ver-te. Pulsa, lenta e deliciosamente, em cada parte do meu corpo, sedento de infinito. Alimenta minha vontade, com olhos de fome perpétua. Ah, esse efeito de feitiço, traiçoeiro e vital, persuade pelos olhos e me despe de todo pudor. Arranca com brutalidade toda essa convenção que eu sigo tentada, tentando desviar de um pecado que me consome parte a parte, até perder-me inteiramente, satisfeita e faminta. Enfim, exausta de lutar contra meu instinto de pertencer-te, rendo-me aflita, querendo muito mais, antes mesmo de começar.

Por Ana Laura Berigo Marques

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