Folheando meia dúzia de lembranças
deparei com a saudade dos teus olhos doces
repousados sobre os meus.
Um olhar que já não me pertence
mas nem tão pouco me abandona,
revivendo, devagar, cada gesto seu.
Eu ainda te busco nos meus detalhes,
te reinvento nas minhas manias.
Te rio, te choro, te espero e venero.
Veneno, pr'essa vida que não segue
pr'esses olhos que te devoram e te perseguem,
pr'esses sonhos que não podem, mas te querem.
Do modo que me pertenceu,
fez-me tão sua que não sou mais minha.
E todo o bem que me fez quando me tinha,
não me permite voltar a ser sozinha.
Peço arrego na pressa do que não passa,
não me aguento e não acaba.
Desculpe o mau jeito,
mas estou no meu direito,
se não quer que eu guarde nada na memória,
some de uma vez da minha história
e me deixa seguir meu caminho.
Ana Laura Berigo Marques

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