Ei Pequena, mais um ano sem você. Mais um ano sem o barulho de máquina de costura na varanda e a linha que teimava sair da agulha quando os óculos estavam longe. Ei Pequena, mais um ano sem tomar bênção e recusar café, bolacha Maria, pão quente na rabinha, janta 5 horas da tarde. Ei Pequena, mais um ano sem tapete, sem presente, sem presença e com uma saudade e uma ausência que deixa um buraco todas vez que eu passo na calçada, que eu pego sua camiseta surrada que eu guardei e olho sua foto linda no meu mural. Eu nunca mais coloquei minha caixinha de música pra tocar, Pequena. Juro, por tudo que é mais sagrado, que se eu pudesse ter mais um único dia com você, nossa, eu juro, que eu ia até te sufocar de tanto beijo na testa e te enjoar com tantos "eu te amo" que eu guardei, Pequena. Juro que eu não ia reclamar de ver missa na Rede Vida, não ia te pedir bolo de chocolate. A gente podia passar o dia inteiro adivinhando as palavras daquele programa do Silvio Santos e tomando café, Pequena, eu nem ia cansar. A última coisa que eu falei pra você foi "Calma, Vó, vai dar tudo certo.". Se eu soubesse que tava errada, que não ia dar certo e você não ia voltar pra passar o natal com a gente, eu tinha grudado em você e dava um jeito de não te deixar ir. Você foi, tá aí com o Vô, descansando e rindo das nossas bagunças, eu sei. Mas eu queria você aqui. Queria muito. Enfim, Pequena, nada nunca vai se comparar ao amor que eu sinto por você e que não morre. Eu te amo, muito.

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