domingo, 19 de agosto de 2012
Sobre os diamantes, os consortes e os sem sortes
E o seu diamante era o mais belo. O exibira por anos com gosto, peito estufado e um orgulho que não cabia em si. Falava sobre diamantes para seus amigos e familiares e todos acreditavam no que dizia porque parecia mesmo entender de diamantes, já que o seu era tão vistoso. Seu diamante era de causar inveja. Inveja boa, ou nem tanto. Mas parecia mesmo um belo diamente.
Só que diamantes são inquebráveis e num deslize, num acaso, num dia feio com cara de luto, ele despenca de suas não e se estilhaça em pequenos e incontáveis cacos cortantes e doloridos. Quanto mais tentava juntá-los, mais eles se desintegravam, viravam pó. Sentia que se aproximava o vento, arrastando o que deveria ser reunido, espalhando seus pedaços e suas dores e seus sonhos daquele suposto diamante, agora fragmentário. A eternidade imensurável de seu diamante caiu por terra e tudo aquilo em que se baseava veio a baixo junto com ele.
Era cristal. E o que tinha de belo, tinha de fino, frágil e principalmente irreparável. Doeu descobrir que aquilo não era rijo. Não doía perder a pedra, mas tudo o que acreditava ser aquele suposto diamante. A força, a fixidade que aquilo lhe oferecia. Certa segurança, certa esperança, certa necessidade de poder acreditar em algo. Aquilo de que "nem tudo é o que parece ser" se fez escárnio nos seus cacos de vidro espalhados pelo chão.
Desista de catá-los, menina. Entenda, algumas coisas foram feitas para serem perecíveis. O logro é intrínseco, e esse engano se faz gracioso, já que é belo, apesar de tolo, ainda hoje acreditar na eternidade do que sentem os homens.
Ana Laura Berigo Marques
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