sexta-feira, 14 de março de 2014

Sobre erva doce e simplicidade

Podia ser tudo simples, como quando você me disse adeus, 
aquela vez, enquanto eu chorava 
porque precisava me despedir - pra sempre - e não conseguia,
eu senti seu cheiro e deu um estalo.
Erva doce! 
Pronto, o perfume da sua pele tem cheiro de erva doce.
Eu sempre quis especificar o cheiro bom que ficava em mim
mas nunca sabia o que era.
E naquela hora, eu descobri. Simples.
Podia ser simples como a facilicidade que
 eu desconcentrei de todo o seu diálogo
doloroso de como a gente se ama e como seria bom
se desse certo.
E só pensava em como um cheiro tão comum 
de erva doce (erva doce!) 
podia me aninhar tão bem. 
E podia ser sempre simples - acho que você nem percebeu - 
pra eu continuar sorrir chorando. 
É que fiquei me lembrando das duas últimas horas 
que eu estava grudada em você, 
querendo roubar você do mundo e te trancar no meu guarda-roupas.
E quantas vezes nós repetimos
"Podia explodir tudo lá fora e sobrar nós dois"
Podia ser simples 
mas acho que a gente ia se matar.
Só que naquelas duas horas que eu passei enroscada no seu corpo
com cheiro de erva doce, 
Deus,
que paz.
Me impressiona a capacidade que você tem de ser 
meu céu e meu inferno.
Manjado, eu sei.
Mas é exatamente isso.
Teoricamente é tão simples:
Dois corpos se encaixam de forma tão brilhante, 
numa sintonia quase palpável
e ao mesmo tempo
são tão distintos.
Na verdade iguais demais.
Em tópicos, é simples:
Odeio suas manias.
Odeio sua imposição.
Odeio você querer estar sempre certo.
Isso sou eu quem faz.
Não você.
Mas aí vem seu sorriso.
Podia ser simples
mas eu amo seu sorriso. E minha risada de doer a barriga quando
você faz gracinha. 
E eu amo seus olhos pairados nos meus. E meu sono tranquilo
quando você mexe nos meus cabelos.
E eu amo você me acordar de manhã 
e falar que eu vou ser expulsa de casa.
E eu amo acordar do seu lado. 
Sabe, 
as vezes as coisas são complicadas.
As vezes a gente complica elas também, eu sei.
Podia ser tudo simples,
como um choro sorridente que leva a um beijo escandaloso e que acaba com uma discussão ao som de Magic, do Coldplay. 
Podia ser tudo simples, como o mundo realmente explodir
e ficarmos só nós e seu perfume de erva doce. 


Ana Laura Berigo Marques





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