e dizer exatamente o que eu estou sentindo agora.
Talvez seja um pouco de espírito protetor.
Talvez peso na consciência por não fazer
o tanto - infinito - que você merece.
Não conseguiria olhar nos seus olhos agora
porque estou chorando envergonhada
por não conseguir olhar nos seus olhos.
Não tenha como um pedido de desculpas,
nem uma obrigação, nem remorso.
Tenha como a transcrição do amor
que não consigo por em prática da melhor forma.
Mas tenha como amor,
escrito, clamado, chorado e versado,
mesmo que não consiga olhar nos seus olhos.
Não está sendo nada fácil, eu sei. Eu sinto.
Queria ser essa fortaleza que você é
porque eu me pego chorosa sempre que penso em tudo isso que está acontecendo.
Desculpa não olhar nos seus olhos.
Mas antes de olhos, coração.
Amo imensuravelmente cada detalhe da sua existência.
Cada acorde que saem das suas mãos auto didatas,
cada tom que atinge sua voz em melodia.
Amo, inenarravelmente,
cada crise e cada briga que temos por não saber que roupa usar
ou que cor de maquiagem combinar.
Amo ser espelho.
Amo sua capacidade.
Amo sua fé.
Amo sua inteligência e talento.
Amo ser coruja.
Amo seus olhos de jaboticaba.
Desculpa não conseguir olhar dentro deles pra te dizer tudo isso.
Mas eu quero que saiba que faço - e farei
o impossível para mantê-los assim:
faróis pra mim.
Mesmo que não esteja te olhando nos olhos,
te amo, sem fim.
Ana Laura Berigo Marques

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