sexta-feira, 14 de março de 2014

40°

Peguei minhas chaves, tranquei a porta da sala,
coloquei a mala no táxi e fui.
Estava deixando na calçada meia dúzia de lembranças velhas
que não queria mais
junto com amontoado de dúvidas e incertezas
e uma coleção de medos que vinha juntando há algum tempo.
Fui guiada pela minha coragem momentânea 
até o mar.
Eu andei pela calçada até colocar os pés na areia 
com os olhos cheios de água doce
e desabei. 
Chorei feito uma louca, sozinha no sol de Copacabana.
Liver. Eu estava livre. 
Não precisava ser eu mesma por uma semana.
Eram as férias que eu tanto almejava. 
"Mas sozinha? Você é louca."
E que delícia de loucura. 
Que gosto bom - de água de mar - 
tem a loucura de soltar-se das amarras 
e correr sem se importar. 
Eu estendi minha canga na areia quente, 
deitei e acho que até dormi.
Tinha um casal falando espanhol atras de mim 
que me ofereceu bala, sorvete e pra olhar minhas coisas
enquanto eu molhava os pés. 
Foi incrível. 
A paz. 
Eu conversei com Deus na maior parte do tempo.
Conversei, porque eu não sei rezar.
E eu falei pra Ele como era bom se sentir corajosa,
desafiar-se e vencer. 
E Ele me respondeu com um pôr-do-sol lindo,
concordando.
Queria trazer um pouco de mar pra casa. 
E um pedacinho de sol.
Talvez um Corcovado pra varanda. 
E toda a paz da liberdade doce que eu me deliciei. 


Ana Laura Berigo Marques



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